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A | B | C | D | E | F | G | H | I | J | K | L | M | N | O | P | Q | R | S | T | U | V | W | X | Y | X | ZA MPB está em festa e comemora o aniversário de um de seus mestres!
Chico Buarque não é nenhum herói por ter ‘desafiado’ a ditadura militar com sua obra. Ao longo dos anos, tudo aconteceu naturalmente, e ele, com talento inquestionável, tornou-se um dos maiores nomes da cultura nacional.
Nasceu no dia 19 de junho de 1944, no Catete (RJ), e ainda criança foi para a Itália, onde o pai, o historiador Sérgio Buarque de Holanda, lecionou por dois anos.
Naquela época, teve contato com grandes personalidades como Vinicius de Moraes e Baden Powell, amigos dos pais e da irmã mais velha, a cantora Miúcha. Logo viria a paixão pelo violão. Os dois varavam a madrugada tocando e cantando.
Em 1965, Chico Buarque cumpriu a promessa de mostrar um caminho na música ao compor Pedro pedreiro. Era algo novo, que chamou a atenção dos diretores do recém-fundado Teatro da Universidade Católica de São Paulo, que procuravam alguém para musicar o poema de João Cabral de Mello Neto, Morte e Vida Severina.
Pouco tempo depois, praticamente na mesma época em que conheceu a atriz Marieta Severo, que viria a ser sua esposa, Chico Buarque teve êxito com A banda. Interpretada por Nara Leão, a música dividiu o primeiro lugar com Disparada, de Geraldo Vandré, no Festival da Música Popular Brasileira. Era o início da consagração no país inteiro!
A participação em festivais foi definitiva para a consolidação da carreira. No Terceiro Festival da Canção, Chico Buarque se apresentou ao lado do grupo MPB-4 e conquistou o terceiro lugar com Roda viva, que, depois, virou música tema da polêmica peça dirigida por José Celso Martinez Corrêa. Censurada, a montagem teve que ser cancelada em São Paulo, depois que atores e pessoas na platéia foram espancados. Desta vez, era o início de uma verdadeira ‘perseguição’.
Chico foi preso e aconselhado a deixar o País.
Lançou diversos discos e músicas de sucesso. Como muitos sabem, chegou a assinar algumas com o pseudônimo ‘Julinho de Adelaide’ para driblar a censura, na época da ditadura militar.
Três anos após publicar a peça-livro Gota D'Água, em parceria com Paulo Pontes, teve, novamente, várias músicas censuradas, entre elas Cálice. Era o ano de 1978.
Tempos depois, estreou a peça Ópera do Malandro, com Marieta Severo e Elba Ramalho. Já na década de 80, gravou mais discos, com destaque para Vida, que trazia os sucessos Eu te amo e Bye, bye, Brasil. Impossível não citar, também, O Grande Circo Místico, de 1983; a inspirada parceria com Edu Lobo.
Poucos compositores conseguiram tocar a alma feminina com a delicadeza de Chico Buarque.
A prova está em várias de suas composições, entre elas Mulheres de Atenas. Talvez por isso ele tenha conquistado tantas intérpretes famosas, como Nara Leão, Gal Costa, Maria Bethânia, Zizi Possi e Simone.
No início dos anos 90, Chico fez uma homenagem à música brasileira e seus compositores em Paratodos. E ainda escreveu dois livros de sucesso: Estorvo e Benjamim. Recentemente, a carreira de escritor fez render o elogiado Budapeste.
Já o ano de 1998 ficou marcado como o Ano de Chico Buarque da Mangueira. Enredo da estação primeira, ele desfilou, cheio de emoção, na Marquês de Sapucaí. A timidez de Chico Buarque é conhecida. Ele se sente pouco à vontade ao subir no palco. Nada que o impeça de se fazer presente. Aliás, com um pouco de sorte os fãs podem encontrá-lo caminhando pela Praia do Leblon, na orla da Zona Sul.
Produtor de trilhas para o cinema e o teatro, escritor de romances, autor de uma obra riquíssima na MPB. Este é o ‘difícil’ resumo para Francisco Buarque de Hollanda, que completou 60 anos de vida. Parabéns, Chico Buarque... de Hollanda... e do Brasil!